domingo, 24 de janeiro de 2016

As terças podem se inverter

"Não pense que te culpo se só penso em ti
Faça o que quiser agora, mas não me deixe de fora dos planos
Não diga que é certa só porque errei se erras tanto quanto eu
Tentando acertar, tentando consertar teus enganos."

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O caminhar

Caminho em passos curtos na esperança de um lugar melhor. Saber a verdade dolorosa das coisas me tira o sono e me deixa frustrada quando percebo que não há o que fazer. Senti tanta vontade de receber um abraço sincero hoje, daquele que conforta e tira todo o peso que carrego nas costas. Não aquele abraço que sempre espera algo em troca. Caminho em passos leves, pois sei que no fim do caminho encontrarei o que tanto procuro. Caminho sem bagagem, pois o peso do mundo já não cabe mais em mim.

domingo, 29 de novembro de 2015

Sonhos e armaduras

Já faz alguns dias que eu passei a classificar sentimentos como os que valem e os que não valem a pena. E assim tento limitar as diferentes frustrações que me tentam roubar bons sentimentos. Há quem diga que um pouco de frieza na medida certa nunca fez mal a ninguém. É simples e ao mesmo tempo assustador descobrir que toda expectativa criada pelo meu coração não passou de expectativa apenas. E que a realidade é outra. E que se você não souber lidar com ela acaba enlouquecendo. Talvez eu seja louca e otimista demais tentando não me permitir vencer pelas ironias do destino. E essa guerra nunca tem fim. Afinal existem muito mais coisas e pessoas capazes de nos ferir do que nos curar. Talvez por isso tento ignorá-las, mas eu caio. E me machuco. Quem me dera fosse só um sonho ruim. Já vesti minha armadura, pode vir.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Sentimentos dispensáveis


Tamanha é a vontade de encontrar um lugar no peito pra reviver velhos sentimentos julgados como esquecidos que acordo com o coração aberto todos os dias esperando por algo que não sei se vai chegar. Percebo o quanto sempre classifico como dispensável qualquer forma de afeto que não corresponda às minhas expectativas. Não consigo descrever de forma exata o que sinto quando, por um instante e involuntariamente, deixo transparecer um pouco de amor por alguém que não o merece. Não é preciso de provas quando sinto que sem perceber estou envolvida em mais uma história de amor clichê. Procuro manter os pés no chão, enquanto meu coração deseja voar, sem rumo. Sinto que estou fadigada desse ciclo.

domingo, 20 de setembro de 2015

(...)

As pessoas possuem cicatrizes em todos os tipos de lugares inesperados. Como mapas secretos de suas histórias pessoais. Diagramas de suas velhas feridas. A maioria de nossas feridas podem sarar, deixando nada além de uma cicatriz. Mas algumas não curam. Algumas feridas podemos carregar conosco a todos os lugares, e embora o corte já não esteja mais presente há muito, a dor ainda permanece. O que é pior, novas feridas que são horrivelmente dolorosas ou velhas feridas que deviam ter sarado anos atrás mas nunca o fizeram? Talvez velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram onde estivemos e o que superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro. É como gostamos de pensar. Mas não é o que acontece, é? Algumas coisas nós apenas temos que aprender de novo, e de novo, e de novo.

sábado, 25 de julho de 2015

O meu olhar para trás

Hoje me reconheço maduro o suficiente para olhar para trás e já não sentir mais o peso nos ombros, lágrimas nos olhos, nós na garganta, vazio no estômago. Depois de tantas águas que rolaram e me fizeram despencar de cachoeiras mortalmente infinitas dentro de mim mesmo, me reergui. Construí um novo castelo de cartas para chamar de meu. De casa. De lar.

Acho que alguns dos maiores erros que a gente comete na vida estão simplesmente no fato de querer amar demais. Se doar demais. Se doer, demais. Talvez ainda, sabe lá Deus, que esses erros sejam, no fim das contas, acertos. Tentativas desesperadas de nos fazermos felizes. 

Deve ser tudo culpa dos filmes de sessão da tarde, desses livros que fazem sucesso, dessas músicas que machucam. É que tudo, exatamente, completamente, estupidamente tudo, fala de dois. De par. De pessoas felizes nos domingos de manhã, sábados à noite e segundas comendo pipoca e assistindo filminhos água com açúcar. Agarrados. Num edredom.

Hoje, me reconheço maduro o suficiente para olhar para trás e já não sentir mais o peso, o ódio de amar. Do amor. Durante muito tempo tentei me convencer de que não era possível ser feliz em par. Em dupla. Vivia de sonhar com cúmplices, com esses heróis que salvam o mundo, que combatem o crime, que vivem aventuras, a dois. Juntos. Sempre com alguém do lado que lhe livre de um perigo ou pule contigo do precipício. 

Só depois de perceber que eu era humanamente fraco para viver sozinho e reconhecer que o outro não precisa ser exatamente uma pessoa perfeita, consegui amar de novo. E digo fraco, porque dançar é melhor em par. Porque as camas de casal são mais confortáveis. Porque comer sushi e sorrir numa terça-feira, meio-dia, é importante. Digo fraco porque, quando a gente ama alguém, aquela pessoa passa a ser o nosso ponto fraco.

Acho que alguns dos maiores erros que a gente comete na vida estão simplesmente no fato de não querer amar demais. No não se entregar demais. No pensar demais. No planejar demais. No sonhar demais. Falta em mim, em você e no vizinho do lado, coragem. Coragem para chegar lá e dizer – to aqui, e se você quiser tentar, é agora.

A gente se acostuma tanto com o que não faz feliz, a gente se adapta tão bem à condição de sofredor e subjulgado, que esquece que é preciso ir à luta. É preciso arregaçar as mangas e entender que se eu não deixar o passado passar, um presente, um futuro, nunca vão acontecer. Chegar. E ai sim, nossa vida vai ter sido uma busca vazia. Uma fútil batalha para nos convencer que é possível ser feliz sozinho.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Torpor

Relacionamentos fracassados, assim como antigos sentimentos, foram feitos para serem deixados pra trás. É certo que cada pedacinho de sentimento precisa ser regado para continuar florescendo, do contrário só irão crescer ervas daninhas que tomam nosso coração o enchendo de falsas esperanças. É que ficamos fadigados de distribuir amor e receber em troca indiferença. Será que dá pra esquecer todas as ausências vividas ao longo do tempo? De tanto seguir caminhos errados alguma coisa a gente acaba aprendendo afinal. Certos sentimentos a gente vai deixando, deixando, até não existirem mais, como quem vai lentamente perdendo a consciência até cair em sono profundo sem perceber.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Rendição

Supera qualquer tipo de sentimento chegar a conclusão de que eventualmente erramos quando achamos ter certeza de que o "pra sempre" não tem prazo de validade. Nada supera a sensação vazia de ter o coração "oco" outra vez, não ter pra onde ir ou esperar pelo que nunca vai chegar. Nada supera essa certeza de que mais dia, menos dia, aquele sentimento inconveniente de carência vai bater na sua porta esperando que você estenda as mãos pra qualquer história de amor clichê. Como nos convencemos, apesar de tudo, de cometer os mesmos erros? O desejo de liberdade, enfim, rendeu meu coração.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Promessas mal feitas

Ter o coração vazio novamente foi como sentir que eu tinha controle sobre tudo outra vez. Faz tempo que deixei de acreditar em coisas que não existem. Me permitir aceitar isso foi o primeiro passo pra esvaziar o coração de mágoas e arrependimentos. Sempre há muitas possibilidades lá fora. A culpa se limita a promessas mal feitas, sempre. Que continuemos vivendo, apesar das incertezas. Isso já nem dói mais.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Carta sobre alguém

Chegamos tantas vezes a "quase acreditar" no amor que colecionamos cicatrizes. Às vezes a gente só precisa de alguém que entre na nossa vida sem esperar nada em troca disso. Alguém que saiba dizer adeus sem te fazer perder o chão. Que sempre pense nas consequências de cada decisão. Que não diga "eu te amo", da boca pra fora. Que não assuma um relacionamento apenas por medo de ficar sozinho. Que não te faça se sentir mal por ser diferente. Que te inspire a ser uma versão melhor de você mesmo. Que entenda que ninguém é como aquela música que ouvimos várias e várias vezes até enjoar, e que depois você descarta quando descobre uma "melhor". E que nos faça acreditar que esse negócio de amor realmente existe e que apesar de tudo vai ficar tudo bem. Precisamos disto, nem que seja por alguns minutos.

E não adianta tentar fugir: lá vem a vida nos ensinar, mais uma vez.

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