sábado, 25 de julho de 2015

O meu olhar para trás

Hoje me reconheço maduro o suficiente para olhar para trás e já não sentir mais o peso nos ombros, lágrimas nos olhos, nós na garganta, vazio no estômago. Depois de tantas águas que rolaram e me fizeram despencar de cachoeiras mortalmente infinitas dentro de mim mesmo, me reergui. Construí um novo castelo de cartas para chamar de meu. De casa. De lar.

Acho que alguns dos maiores erros que a gente comete na vida estão simplesmente no fato de querer amar demais. Se doar demais. Se doer, demais. Talvez ainda, sabe lá Deus, que esses erros sejam, no fim das contas, acertos. Tentativas desesperadas de nos fazermos felizes. 

Deve ser tudo culpa dos filmes de sessão da tarde, desses livros que fazem sucesso, dessas músicas que machucam. É que tudo, exatamente, completamente, estupidamente tudo, fala de dois. De par. De pessoas felizes nos domingos de manhã, sábados à noite e segundas comendo pipoca e assistindo filminhos água com açúcar. Agarrados. Num edredom.

Hoje, me reconheço maduro o suficiente para olhar para trás e já não sentir mais o peso, o ódio de amar. Do amor. Durante muito tempo tentei me convencer de que não era possível ser feliz em par. Em dupla. Vivia de sonhar com cúmplices, com esses heróis que salvam o mundo, que combatem o crime, que vivem aventuras, a dois. Juntos. Sempre com alguém do lado que lhe livre de um perigo ou pule contigo do precipício. 

Só depois de perceber que eu era humanamente fraco para viver sozinho e reconhecer que o outro não precisa ser exatamente uma pessoa perfeita, consegui amar de novo. E digo fraco, porque dançar é melhor em par. Porque as camas de casal são mais confortáveis. Porque comer sushi e sorrir numa terça-feira, meio-dia, é importante. Digo fraco porque, quando a gente ama alguém, aquela pessoa passa a ser o nosso ponto fraco.

Acho que alguns dos maiores erros que a gente comete na vida estão simplesmente no fato de não querer amar demais. No não se entregar demais. No pensar demais. No planejar demais. No sonhar demais. Falta em mim, em você e no vizinho do lado, coragem. Coragem para chegar lá e dizer – to aqui, e se você quiser tentar, é agora.

A gente se acostuma tanto com o que não faz feliz, a gente se adapta tão bem à condição de sofredor e subjulgado, que esquece que é preciso ir à luta. É preciso arregaçar as mangas e entender que se eu não deixar o passado passar, um presente, um futuro, nunca vão acontecer. Chegar. E ai sim, nossa vida vai ter sido uma busca vazia. Uma fútil batalha para nos convencer que é possível ser feliz sozinho.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Torpor

Relacionamentos fracassados, assim como antigos sentimentos, foram feitos para serem deixados pra trás. É certo que cada pedacinho de sentimento precisa ser regado para continuar florescendo, do contrário só irão crescer ervas daninhas que tomam nosso coração o enchendo de falsas esperanças. É que ficamos fadigados de distribuir amor e receber em troca indiferença. Será que dá pra esquecer todas as ausências vividas ao longo do tempo? De tanto seguir caminhos errados alguma coisa a gente acaba aprendendo afinal. Certos sentimentos a gente vai deixando, deixando, até não existirem mais, como quem vai lentamente perdendo a consciência até cair em sono profundo sem perceber.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Rendição

Supera qualquer tipo de sentimento chegar a conclusão de que eventualmente erramos quando achamos ter certeza de que o "pra sempre" não tem prazo de validade. Nada supera a sensação vazia de ter o coração "oco" outra vez, não ter pra onde ir ou esperar pelo que nunca vai chegar. Nada supera essa certeza de que mais dia, menos dia, aquele sentimento inconveniente de carência vai bater na sua porta esperando que você estenda as mãos pra qualquer história de amor clichê. Como nos convencemos, apesar de tudo, de cometer os mesmos erros? O desejo de liberdade, enfim, rendeu meu coração.

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